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LIVRE COMÉRCIO DE SUPLEMENTOS VITAMÍNICOS

Suplementos vitamínicos são livremente comercializados em farmácias, sem prescrição médica e, o que é pior, com veiculação forte na mídia sem alertar para os possíveis efeitos adversos. É muito comum, em consultórios, chegarem pacientes que fazem uso dessas substâncias ou solicitando para que elas sejam prescritas. Receitar vitaminas não é simplesmente prescrever um composto que faça com que o paciente fique mais forte, como pensam erradamente algumas pessoas. A prescrição de suplementos vitamínicos está claramente indicada em algumas situações crônicas. A gravidez, por exemplo, é uma condição de elevada replicação celular. O uso de ácido fólico e ferro ajuda na manutenção da saúde materno-fetal. As anemias também são condições que, uma vez identificada a deficiência, a suplementação é terapeuticamente correta.

Quando há deficiência, a suplementação é terapeuticamente correta. Quando há deficiência de vitamina B 12, a mesma deve ser reposta, deficiência de ácido fólico, também e assim por diante. Alguns pacientes que sofrem de arterosclerose prematura, e apresentam elevação de homocisteína (um tipo de aminoácido). A suplementação do ácido fólico também pode salvar vidas.

É fato que os micronutrientes (vitaminas e sais minerais) são fundamentais para o metabolismo normal dos seres humanos. Muitas destas substâncias têm propriedades anti-oxidantes (combatendo os radicais livres), cicatrizantes ou atuam como co-fatores de diversos processos enzimáticos. Dessa forma "vende-se" a idéia de que, sendo substâncias naturais, atuam em diversas áreas do metabolismo de forma benéfica, compensando hábitos alimentares impróprios, e, além disso, "se não forem úteis, mal também não farão".

Mas vários trabalhos sérios da literatura médica especializada vêm colocando por terra abaixo estas assertivas. As vitaminas, como o beta-caroteno, por exemplo, provenientes da alimentação, diminuem a incidência de câncer de pulmão em fumantes. No entanto, quando administradas em forma de suplementos, causam um efeito totalmente oposto.
A vitamina E como suplemento, quando administrada em conjunto a uma combinação de medicamentos (Sinvastatina e ácido Nicotínico) piora a evolução clínica de pacientes que apresentam placas de gordura nas coronárias. E por aí, provavelmente vários trabalhos demonstrarão a ineficácia e eventual perigo quanto ao uso rotineiro destas medicações. Por motivos possivelmente comerciais, entretanto, tais informações não chegam à mídia com a mesma eficiência quanto à propalação de seus possíveis benefícios. Cumpre lembrar que medicamento é sempre medicamento, com seus possíveis efeitos colaterais, não devendo estimular seu uso anárquico a fim de evitarmos custos desnecessários e possíveis efeitos adversos.

Marcos Benchimol
Médico cardiologista